quarta-feira, 31 de dezembro de 2014

Improviso segundo


… … não sei se adormeci antes da saída,
se o meu relógio não marcava a hora certa,
se as luzes da rua, poucas,
ou a contraluz do sinal luminoso
não me deixaram ver correctamente os números do autocarro.

Não sei quanto tempo passou, por quantos tempos eu passei,
apenas caminhei em frente e entrei no primeiro autocarro que tinha a porta aberta. Antes de arrancar, o condutor avisou: vai sair o autocarro número 31.
Mesmo a tempo, saltei para a rua; afinal eu queria era ir no autocarro novo
... o número 1
 
Seria Janeiro?
 

quarta-feira, 24 de dezembro de 2014

Improviso de uma manhã de Natal




Cheguei agora mesmo à paragem do eléctrico 13.
Podia ter um outro número, sim, mas é apenas o 13.
Entro, não entro? Já cá estou....

Sento-me ao lado de livros, letras,
revistas, jornais, fotografias, vídeos...
memórias, desabafos, confissões, intimidades,
contos (alguns pontos acrescentados)...
Ao meu lado um aroma... agradável, excitante:
Um poema!
Fechei os olhos, viajei para além da rota normal,
lá onde as linhas já não são linhas,
muito menos paralelas. Tantas viagens...
Acordei com o gemer das rodas nos carris
e o anúncio do cobrador: para continuar
até ao seu destino deverá apanhar o autocarro 25.

Era Dezembro!...
 
 

segunda-feira, 22 de dezembro de 2014

Cartas...


Há sempre cartas novas, cartas de esperança!
E há sempre oportunidades para as cartas e

para a esperança!
Depois, é gostar de lhes dar asas, dar-lhes voz.
Que a época de festa, sendo história e tradição,

seja mesmo Festa.
 
Celebremos longe ou perto....
FELIZ NATAL
 

sexta-feira, 19 de dezembro de 2014

terça-feira, 16 de dezembro de 2014

Flores para o Natal!...

 
 
Aguarela de Ivone Martins

sexta-feira, 12 de dezembro de 2014

domingo, 7 de dezembro de 2014

quinta-feira, 4 de dezembro de 2014

segunda-feira, 1 de dezembro de 2014

sexta-feira, 28 de novembro de 2014

quarta-feira, 26 de novembro de 2014

terça-feira, 25 de novembro de 2014

segunda-feira, 24 de novembro de 2014

sexta-feira, 21 de novembro de 2014

Livros ...




A paixão pelos livros e pela madeira

quarta-feira, 19 de novembro de 2014

domingo, 5 de outubro de 2014

Fotografia - ARTE do meu filho



John Martins : Photography
hello@jmartinsphoto.com / 201.563.8683



                                         http://www.jmartinsphoto.com/

sexta-feira, 3 de outubro de 2014

terça-feira, 30 de setembro de 2014

leitura


diz-me que sim que me lês
não importa o astro ou planeta
que nos ilumina ou se esconde
nas horas da penumbra interior 

não me digas que só lês as cartas
os búzios ou as palmas da mão
nas estrelas na ampulheta há mais palavras 
tempos extra dos verbos por conjugar

leias ou não os meus olhos
atenta no que não digo e nos retalhos
dispersos no chão na mesa na cama 
espalhadas mensagens do muito por dizer  

letras grandes ou pequenas
todas escrevem de mim todas me falam 
de ti que mais queres que eu te diga?
dirás que sim direi eu 

as únicas estrelas que se reflectem no rio
debruçadas luzes da cidade serão
os teus dedos ao lerem o meu corpo
perdido nos papéis

sexta-feira, 26 de setembro de 2014

quinta-feira, 25 de setembro de 2014

"quando menino eu lia... "

PRESS RELEASE
João S Martins Brings new Insights
on How to Become a Poet
in New Book
 
Woodbridge, NJ (9/23/2014) - Portuguese-American author João S Martins published this month a new bilingual book (Portuguese/ English) entitled quando menino eu lia… Iread as a boy… that explores the thoughtful process of searching for poetic substance.
 
Martins grew up in Portugal, where his family, especially his mother, promoted reading. Now he takes us on a beautifully written poetic journey that centers on the impact of his reading and life experiences on his poetic voice, from childhood to adulthood.
 
This new book is the personal and artistic journey of a poet in search of the ingenious form to echo poetically his true self. quando menino eu lia... I readas a boy… is a celebration of the fulfillment achieved by reading and writing. It is an insight that shares in the craving for awareness and originality.
 
Boavista Press focuses on the work of authors from the Portuguese-American community and other Portuguese-speaking communities in the United States and Canada.

Boavista Press
Woodbridge, NJ
www.boavistapress.org
Contact: Luis Gonçalves

terça-feira, 9 de setembro de 2014

polifonia de sonhos intactos

     pode ser partida a minha fala
     mantenho os sonhos intactos.
     se bem que os sonhos podem ser
     sonhados em qualquer linguagem
     torna-se mais fácil sonhar
     nas palavras que aprendemos
     com o leite e com os sonhos maternos
     tão universais como o coração.

     em casa sonhávamos e falávamos em polifonia:
     na minha linguagem de berço ensinava os filhos
     (daí dependiam os laços com o longe e o tempo)
     e na linguagem deles eu aprendia
     as novas cores dos sonhos.
     e de palavra em palavra de sonho
     em sonho e nos verbos do coração
     em vez de laços quebrados
     temos braços ligados

     desde o tempo em que os sentimentos nos ficaram
     das raízes doutros tempos
     e os sonhos ligaram as raízes aos frutos e ao futuro.
     esse mesmo futuro como um livro
     agora com novas páginas novas palavras
     novos sonhos partilhados.
 
     continuaremos a usar as palavras
     e os sentimentos mais antigos
     para construir os sonhos do amanhã.
     como ontem qualquer que seja
     a língua e as palavras
     contam os corações. e agora somos mais!...

sexta-feira, 5 de setembro de 2014

Setembro antigo de carinho renovado 2


Eduardo
Carvalho
Martins
Escultor
 e      
 Artista !

Novembro 13, 1930
Setembro 5, 1953
Maio 18, 2013
Dia de carinho 6o anos que a distância e o tempo não apagam
que os beijos de todos fazem renascer num Setembro novo

domingo, 31 de agosto de 2014

Holly e João

 

Arte de Ivone Martins

sexta-feira, 29 de agosto de 2014

Pedras falantes




Enquanto as pedras me
falam histórias vivas sem tempo
sinto nas pedras que afago
carícias de um outro tempo.
 
Vento meu traz-me as memórias
por entre as pedras vividas!

terça-feira, 26 de agosto de 2014

"I read as a boy..." - Preface


Joao Martins’ latest poetry book- quando menino eu lia.... is a much welcomed addition to a personal production centered on his life long passionate quest for artistic expression, whether in the form of poetic writing, music, photography, painting and wood carving.  This new book constitutes a powerful poetic and spiritual exploration of the many stages of the poet’s quest since childhood to adulthood that ends up joyfully confirming the poet’s timeless poetic vocation and his eternal quest to forge, create, and construct different growing imaginative worlds (childhood, youth, adulthood). This is an excellent, beautifully written and intellectual text, focusing first on that extraordinary world of a menino’s discovery of the magic world of words.  It is the personal and artistic journey of someone intensely and passionately searching for the appropriate form of art to capture, structure and enunciate his poetic self at different stages of life.

Chilean Nobel Prize Laureate Pablo Neruda once stated that if people would ask him what his poetry was about,  he did not know.  But added that by going directly to his texts, the poetry would more precisely reveal who he was.  In the same way,  Joao Martins’ poetry, in the best tradition of  Whitman, Marti, Pessoa, Borges, Neruda,  is the vehicle to enter to the literary and philosophical ideas and beliefs that embrace his poetic pathos.  What interests the most are not necessarily the anecdotical biographic circumstances (always present in any text) but how  human experiences determining, shaping or affecting the formation of the poet’s world and his inter relations with society and surrounding world transcend and speak to all.   
 
In this remarkable voyage to the origins- to the home where the passion for reading and writing was ignited- the poet combines the personal and historical, the past and the present, memory and daydreams, the echoes of life in the village and in the city, the old and the modern into a particular  “alloy” marked with impressive imagery, profound insights, varied rhythmic stanzas and different musical tones. 

quando menino eu lia...is an ode to the pleasures of reading and writing.    It is an invitation to partake in the journey of learning and yearning for knowledge and freedom.  To read is to know and to be free, and to read this book is to learn about Joao Martins’ genuine and authentic love for words. 

Asela Laguna

segunda-feira, 18 de agosto de 2014

"I read as a boy..."












“This is an excellent, very mature and intellectual text!  Beautifully written, centering on that extraordinary world of a menino, it traces the philosophical search for that poetic essence that searches for expressivity and in doing so, provides also a literary trajectory in the formation of the poet!”

Asela Laguna

sábado, 16 de agosto de 2014

quinta-feira, 14 de agosto de 2014

UMA VIAGEM REMOTA PARA UMA CIDADE INTERIOR


1.      Um caminho pode ter quilómetros, uma estrada dez metros ou trezentos passos (a distância entre duas margens), ou pode apenas ser o salto virtual que a mente lhe atribuir. E nele viajar na distância infinita ou no tempo finito.  
 
Chega-se a uma cidade sem pregões e sem bandeiras, por muitos que sejam os panos coloridos a adejar nas janelas, içados num mastro, virtual.
 
Começam-se viagens sem destino mas com esperança, usam-se os barcos ou as asas dos pássaros, colhem-se ventos e fumos ou, apenas, chega-se. À cidade remota, que a nova viagem é já na próxima paragem.
 
Sai-se de entre as pedras. Por entre montes e vales chega-se à cidade, (in)capaz de abarcar os sonhos. Damos-lhe asas. De gaivota ou de avião. É uma nave a cruzar o grande rio atlântico. Aterra-se no desconhecido, fala-se em muitos tons, come-se da fartura de pão (ainda que amassado pelo diabo). Vive-se. Celebra-se o longe que longe ficou.
 
Estrangeiros em casa própria. Nem “de cá, nem de lá”. Nem sempre o dizem, dia a dia o sentem. As cartas ou mensagens não arrefecem o sentir, que se acende a cada hora. Na contínua exigência, a saga continua. De pais para filhos, agora divididos. Pelo rio, pelas palavras, por quilómetros, dez metros ou trezentos passos...
 
Pode ter sido esta a viagem de vinte e sete anos atrás, ou a saga de milhares, durante séculos, mesmo dos que virão! Cheios de mistério e alguma fé no desconhecido... Porque só poderá falar da viagem quem a vive. Mesmo que seja apenas numa rua.
 
2.      Trezentos passos é uma viagem curta e tão longa... para quem sai das serranias da Estrela, e de Lisboa chega a Beijing ou Nova Iorque! Longe, quase no fim do mundo... ali ao lado. 
 
 

quarta-feira, 13 de agosto de 2014

A arte de Fernando Silva


Um obrigado especial ao amigo Fernando Silva por esta magnífica Biblioteca
aguarela que ele pintou e é capa do livro
 
"quando menino eu lia"  -  I read as a boy..."

terça-feira, 12 de agosto de 2014

MOMENTOS


Na polifonia de sonhos, pode ser quebrada a minha fala, mas mantenho os sonhos intactos (exceptuando breves momentos de dúvida e dores). Se bem que podem ser sonhados em qualquer linguagem, torna-se mais fácil nas palavras que aprendi com o leite e sorriso maternos. Assim, na minha linguagem de berço ensinei os filhos (daí dependiam os laços com o longe e o tempo), enquanto, na linguagem deles, aprendia as novas cores dos sonhos.

Cada momento, uma esperança...

          do que vês, do que eu criei, escolhe... é teu!
que me desses a obra das tuas mãos, eu entendia, até o desejava... 

não sei que idade teria, dos sonhos longos não alcançava o fim, mas logo

              (chega o momento de uma alegria descrente...) 

se tivéssemos vivido mais tempo juntos, que belas coisas teríamos feito...   

não vivemos... e então?... acabou a poesia? morreu a arte? 

e acrescentavas: as ferramentas, essas não tas dou, ainda vou precisar delas 

mas que farei eu com elas?
que idade terias quando assim falaste? (e eu, que idade  teria?) e agora?...

 Cada momento, uma luz...

afinal, o que eu quero...  

são as mãos, as tuas mãos!...  

eu sei...  

Trazes poesia em cada aperto de mão, porque as tuas mãos são feitas de poemas, sílabas sinceras, versos de inocência, como só desenham as mãos verdadeiras. Poemas coloridos, mais que cinco as cores de um arco iluminado só completo a duas mãos.  

Quando as mãos se apartam, ficam salpicadas de gotas feitas de poemas, dedos, versos, laços que uniram as mãos vivas nas veias que trazes em cada sílaba e aperto de mão. Apertaste as minhas mãos como quem escreve um poema, a cada instante as tuas mãos depositam sementes e um poema verdadeiro em minhas mãos. 

também eu sei... 

Em cada momento, uma serena alegria expectante...

segunda-feira, 11 de agosto de 2014

"quando menino eu lia..."















"Gostei muito desta leitura, em silêncio e em voz alta de mim para mim aqui na quietude da minha noite. Trata-se de um poema narrativo, na nossa melhor tradição portuguesa e diaspórica".

Vamberto Freitas
 

quinta-feira, 7 de agosto de 2014

a idade dos "moxos"



   bom dia!
   do "moxo velho" aos menos velhos
   artistas amigos e manos
   velho e novo meros nomes
   só por si não acrescentam
   sabedoria a quem identificam

   o autêntico moxo velho
   esse bateu asas
   entrou na noite
   deixando para trás
  as batalhas da história
  nela e nos corações
  ganhou lugar

 outros moxos
 outras visões
 nas noites de outros tempos
 outras idades distantes

 encontros valem
 pelo que nos dão
 nomes pelo que deixam
 às novas gerações
 de pequenas aves

 para que possam ver
 na noite e
 no tempo


(fotografias de autor desconhecido)

quarta-feira, 6 de agosto de 2014

"quando menino eu lia..." - "I read as a boy..."

 

      Brevemente... edição bilingue.

quinta-feira, 19 de junho de 2014

os silêncios do silêncio

por onde ele anda o silêncio
não adivinhamos não sabemos
ao certo qual o melhor caminho
das gerações uma após outra e outra

fala do saber tão ignorado
da arte das mãos e dos silêncios
pois o carinho sei onde ele se aninha
nem que se esconda no longe mais longe

calemos os silêncios do silêncio
ouçamos as palavras da palavra
sentida no coração que bate bate
e doi também nessa batida ausente

ontem nos rimos e agora tentamos
a rima que nem sempre bate certo
usamos o metro nos versos na madeira
com que construímos a mesa que nos fala

e é poema continuado a fazer a roda...

terça-feira, 17 de junho de 2014

A pele - Cronologia em vários tons


Segunda feira.
Levanta-se, estica braços e pernas. Despiu-se. Gostava de começar assim o dia. E a semana. Pijama fora. Corpo ao léu. Em frente ao espelho, admirava-o, admirava-se, enquanto a água temperava no chuveiro...

     - já estás?

não respondeu, simplesmente não escutara.

As mãos percorriam o corpo, mansamente, sem preocupações de tempo, devagar... suavemente

     - demoras muito?

já a toalha actuava como uma segunda massagem, um pouco mais vigorosa, depois do sabão líquido e perfumado, dos óleos...

Rapidamente enfiou meias, calças, camisa, casaco. Sapatos a condizer. Engoliu o café e as vitaminas...

     - que belo efeito retemperador...

     - ... até logo. Um bom dia!

Hora de virar a página. E sintonizar a estação de rádio favorita.

Conduziu instintivamente. O automóvel reconhecia a rotina. Dois telefonemas para ajustar a voz. O humor. A atitude.

Entrou. Olhou à volta. Os rostos e as feições pareciam diferentes. Estaria ainda sob o efeito do final de semana?! A luz das lâmpadas fluorescentes alterara as cores do rosto. Seria por pouco tempo. Esperava sair e deixar que o sol acompanhasse o ritmo do trabalho.

Foram longas as horas da manhã. Cheias. De entrega.

Uma fruta ligeira e um sumo natural (saudável, lhe disseram, tonificante).

Uma tarde de encontros. Novos rostos. Conversas formais. Outros temas. Reajustar as feições e o sorriso. Os sonhos de agora. Os de logo!

O dia esvai-se. No regresso...

     - estarei em casa para jantar em poucos minutos.

Abriu a porta. Um beijo.

     - ...olá.

Em movimento inverso, despiu o casaco, camisa, calças, meias. Novamente frente ao espelho. Admirou-se. Tomou um banho retemperador: sabão, cremes, óleos, toalha... pijama. Sentia-se com outra vida.

Chegara a hora de trocar de pele uma vez mais, vestir talvez a mais antiga. Pele de entrega. Quente. Macia.

A mais verdadeira.