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terça-feira, 18 de dezembro de 2012

sábado, 15 de dezembro de 2012

Natal Português


 
Natal branco e vermelho
vermelhinho de belém
não há como fugir ao tom;

até na Ferry o sino
que à noite rasga o sereno
azul, não altera o som.

Natal amarelo,
laços a verde e vermelho
e um bombom!
Parece Portugal!

Que bom!

sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

pedaços de natal

  
pedaços de natal  
de árvores de luz
de branco e de azuis
de neves e festas
 



quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

o ano que vem

uns dirão sim. outros dirão
não sei ou simplesmente
não acredito tal como me contaram
ou anunciam. compras prendas
comida luzes e promessas

uns dirão sim. outros quem sabe 
simplesmente acredito
ainda que seja apenas
no homem capaz de ser bom
nos sorrisos das crianças
e na possibilidade de sonhar
e temporáriamente ver
o outro lado da vida.

depois... entre uns e outros
talvez a diferença esteja apenas
na forma de olhar ou nos olhares ...
pelo menos até Dezembro do ano que vem

                
                             Escultura de Eduardo Martins

terça-feira, 27 de dezembro de 2011

Natal branco - Janeiras

Mas uma estrela dianteira
Arde no céu, que regala!
A palha ficou trigueira,
Os pastorinhos sem fala.

Dá-lhe calorzinho a vaca,
O carvoeiro uma murra,
A velha o que traz na saca,
Seus olho mansos a burra.

Já as janeiras vieram,
Os Reis estão a chegar,
Os anos amadurecem:
Estamos para durar!

Abride a porta ao peregrino,
Que vem de num longe, à neve,
De ver nascer o Menino
Nas palhinhas do preseve.


      Vitorino Nemésio

segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

Natal - que dia é hoje?

que dia é hoje? talvez ...
nem acredites se eu te disser
que o fim está perto
deste mês – e dito assim -
eu próprio quase duvido.
pela manhã pensei falar-te
o que a noite reservava
(distraídos na rotina)
quando ninguém dá por nada;
mas ao e-mail, não respondeste,
o telefone tocava e ninguém
do outro lado da linha
estava frio e esperava
palavras que se aquecessem
na caneca de um café
fumegante. correio não havia.
segui no barco para o outro lado
do rio, a grande cidade
mesmo da cor do café,
era mais fria que escura.
vagueei. dormi. sonhei
com um postal deixado
na mesa, nessa manhã:
carimbo de Natal (a cidade ?)
Feliz (o resto inelegível)
tentei adivinhar a data
(apenas 25) deixei o resto
à fantasia tentando
acreditar que me desejavas ou
me enviavas festas
felizes!... Afinal, nessa cidade,
não nevava e era verão...
a ceia já estava fora de horas
mas sempre a tempo de reaquecer
com um fiozinho de carinho.
foi isso que tentei escrever
no bilhete de resposta: se não for antes
ver-nos-emos no ano que vem.
ano novo? sinto que ainda
poderei chegar a tempo
da lareira e das filhós.

domingo, 25 de dezembro de 2011

hoje é dia de Natal



Hoje é dia de Natal.
O jornal fala dos pobres
em letras grandes e pretas,
traz versos e historietas
e desenhos bonitinhos,
e traz retratos também
dos bodos, bodos e bodos,
em casa de gente bem.
Hoje é dia de Natal.
- Mas quando será de todos?

   Sidónio Muralha

sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

Hoje é noite de Natal

Hoje é dia de ser bom.
É dia de passar a mão pelo rosto das crianças,
de falar e de ouvir com mavioso tom,
de abraçar toda a gente e de oferecer lembranças.
É dia de pensar nos outros, coitadinhos,

     dos que padecem,
de lhes darmos coragem para 

     poderem continuar a aceitar a sua miséria,
de perdoar aos nossos inimigos,

     mesmo aos que não merecem,
de meditar sobre a nossa existência,

     tão efémera e tão séria.
Comove tanta fraternidade universal.
É só abrir o rádio e logo um coro de anjos,
como se de anjos fosse,
numa toada doce,
de violas e banjos,
entoa gravemente um hino ao Criador.

     António Gedeão

2 dias para o Natal - natal à beira-rio

É o braço do abeto a bater na vidraça?
E o ponteiro pequeno a caminho da meta!
Cala-te, vento velho! É o Natal que passa,
A trazer-me da água a infância ressurrecta.
Da casa onde nasci via-se perto o rio.
Tão novos os meus Pais, tão novos no passado!
E o Menino nascia a bordo de um navio
Que ficava, no cais, à noite iluminado...
Ó noite de Natal, que travo a maresia!
Depois fui não sei quem que se perdeu na terra.
E quanto mais na terra a terra me envolvia
E quanto mais na terra fazia o norte de quem erra.
Vem tu, Poesia, vem, agora conduzir-me
À beira desse cais onde Jesus nascia...
Serei dos que afinal, errando em terra firme,
Precisam de Jesus, de Mar, ou de Poesia?

Pintura: Fernando Silva - Poema: David Mourão-Ferreira

quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

3 dias para o Natal - Canção de embalar


Dorme meu menino a estrela d'alva
Já a procurei e não a vi
Se ela não vier de madrugada
Outra que eu souber será pra ti

Outra que eu souber na noite escura
Sobre o teu sorriso de encantar
Ouvirás cantando nas alturas
Trovas e cantigas de embalar

Trovas e cantigas muito belas
Afina a garganta meu cantor
Quando a luz se apaga nas janelas
Perde a estrela d'alva o seu fulgor

Perde a estrela d'alva pequenina
Se outra não vier para a render
Dorme quinda à noite é uma menina
Deixa-a vir também adormecer

 Zeca Afonso

quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

4 dias para o Natal


Velho Menino-Deus que me vens ver
Quando o ano passou e as dores passaram:
Sim, pedi-te o brinquedo, e queria-o ter,
Mas quando as minhas dores o desejaram...
Agora, outras quimeras me tentaram
Em reinos onde tu não tens poder...
Outras mãos mentirosas me acenaram
A chamar, a mostrar e a prometer...
Vem, apesar de tudo, se queres vir.
Vem com neve nos ombros, a sorrir
A quem nunca doiraste a solidão...
Mas o brinquedo... quebra-o no caminho.
O que eu chorei por ele! Era de arminho
E batia-lhe dentro um coração...
 
       Miguel Torga

terça-feira, 20 de dezembro de 2011

5 dias para o Natal


Mas a maior felicidade é a da gente pequena.
Naquela véspera santa
a sua comoção é tanta, tanta, tanta,
que nem dorme serena.
Cada menino
abre um olhinho
na noite incerta
para ver se a aurora
já está desperta.
De manhãzinha,
salta da cama,
corre à cozinha
mesmo em pijama.
Ah!!!!!!!!!!
Na branda macieza
da matutina luz
aguarda-o a surpresa
do Menino Jesus.
                     António Gedeão

segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

6 dias para o Natal - Um rosto do Natal

Eu caminhava e como que dizia
àquele homem de guerra oculta pela calma:
se cais pela justiça alguém pela justiça
há-de erguer-se no sítio exacto onde caíste
e há-de levar mais longe o incontido lume
visível nesse teu olhar molhado e triste
Não temas nem sequer o não poder falar
porque fala por ti o teu olhar
Olhei mais uma vez aquele rosto. Era Natal
é certo que o silêncio entristecia
mas não fazia mal, pensei, pois me bastara olhar
tal rosto para ver que alguém nascia.
Amanhã, amanhã é outro dia!

Ruy Belo

domingo, 18 de dezembro de 2011

7 dias para o Natal - Amigo


És meu irmão
Natal é em Dezembro
Mas em Maio pode ser
Natal é em Setembro
É quando um homem quiser
Natal é quando nasce
uma vida a amanhecer
Natal é sempre o fruto
que há no ventre da Mulher

      Ary dos Santos



Escultura de Eduardo Martins

Boas Festas


Natal Feliz - Natal Azul
ou de qualquer cor de que se veste a Esperança

sábado, 17 de dezembro de 2011

8 dias para o Natal - natal outra vez


por uma vez no ano e ano após ao natal outra vez
os enfeites, os sorrisos, as ofertas
cremam-se os calculismos e as violências

sagra-se um corpo de menino
adocica-se as mãos no esmero
asseia-se o relicário da bondade

o tudo  monstro espera
e nos bolsos ficará a magia renascida

por uma vez no ano
e ano após ano
o natal outra vez
                                                                                                                Constantino Alves

quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

10 dias para o Natal- Janeiras de Natal



Ó de casa, alta nobreza,
Mandai-nos abrir a porta,
Ponde a toalha na mesa
Com caldo quente da horta!

Teni, ferrinhos de prata,
Ao toque desta sanfona!
Trazemos ovos de prata
Fresquinhos, prá vossa dona.

Vimos honrar a Jesus
Numas palhinhas deitado:
O candeio está sem luz
Numa arribana de gado.

Vitorino Nemésio