sábado, 29 de junho de 2013

desenho



no ar antecipo os desenhos
dos sons que saem dos recortes 
da caixa do teu violino 

ou será das barras do piano
ou das curvas reflectidas
nos metais ou címbalos

já não sei onde começam
a orquestra os desenhos ou
os sons mais logo saberei

tal a mistura de desenhos sons e
formas que se juntam no teu corpo
curvilíneo entre os sons

que se esfumam e ecoam.
e noutros prados nascem
orquestrados desenhos

neste esboço de dança
nesta folha riscada em
quatro passos a três tempos
    
                                                                                                           Desenho de Fernando Silva

quarta-feira, 26 de junho de 2013

a mão a madeira o livro a palavra


            onde começa
            a mão a madeira
            o livro a palavra?

segunda-feira, 24 de junho de 2013

O CORVO - Edgar Alan Poe


















Numa meia-noite agreste, quando eu lia, lento e triste,
Vagos, curiosos tomos de ciências ancestrais,
E já quase adormecia, ouvi o que parecia
O som de alguém que batia levemente a meus umbrais
«Uma visita», eu me disse, «está batendo a meus umbrais.
É só isso e nada mais.» 

THE RAVEN (O Corvo) - Poema de Edgar Alan Poe -Tradução de Fernando Pessoa Escultura em madeira de: Stefanie Rocknak  http://www.steffrocknak.net/

sábado, 22 de junho de 2013

A PLATAFORMA

 
Apoiado ao cajado e mantas, decidiu parar para se refrescar, encostou-se por algum tempo, adormeceu por instantes, e sonhou: sonhou não ter memórias de um passado recente algo tumultuoso, sonhou antecipar um futuro, sonhou estendê-lo de forma a não ver repetidos esses relâmpagos intermitentes de desalentos e esperanças, os avanços e recuos constantes de visão… e deixou-se ficar por mais algum tempo saboreando esse estado de semi-consciência recheado de prazer. Depois… retomou viagem.


In: "A PLATAFORMA", João S Martins, inédito, 2005

quinta-feira, 20 de junho de 2013

quarta-feira, 19 de junho de 2013

mãos de água... 1

                                                                                                 de uma ideia e da matéria nasce a "água" !...            



domingo, 16 de junho de 2013

Um sorrriso de Pai


 
paz e luz para ti  pai
a tua luz a nossa paz

quinta-feira, 13 de junho de 2013

tríptico da espera



e pelo meio esperava eu
que de um e de outro lado
pelo menos as notícias
por curtas que fossem
vertessem esperança.
no mapa de um novo puzle.
quando uma vela se apaga
nos ventos sobre o eceano
que outra se acenda e
(“é a vida”) “será vida”

terça-feira, 11 de junho de 2013

"(é) a vida... é um puzle"





















     Eduardo Carvalho Martins

sábado, 8 de junho de 2013

o outro puzle

do outro lado da água
ou seria da mesa
noutra cadeira ou num barco
se misturvam tintas cores e tons
numa caixa reduzida
para um coração grande
de outras viagens
de tantas esperas
por cumprir. as mesmas
que as mãos uniram
sem se conhecerem
com destino diferente
como diferente e desconhecido
era também o novo puzle
de incertezas e perguntas
e sem nunca se encontrarem
um partiu enquanto o outro
lentamente retomou caminho
vencendo agora a espera...
"é a vida"

quarta-feira, 5 de junho de 2013

anjos

por caminhos impensáveis
anjos e anjos e anjos

eram pegadas legiões bandos
autómatos caminheiros peregrinos
sem bordão que as promessas
vivas navegavam entre os corpos
e as incertezas pisavam a lama
tijolos de adobe inconsistente
desespero do sangue dos braços
caídos sem forças para erguer
clamores lamentos inaudítos
inaudíveis fronteiras de aço
gritos de nevoeiro rasgado
urgência de um clarão
para lá do abandono. porquê

… as eternas diferenças
intemporais?! anjos

                  Arte de Fernando Silva

segunda-feira, 3 de junho de 2013

puzle da espera

o meu pai no caminho
da idade sentado ao canto
da cozinha esperava
dormitava e pensava
juntando num puzle
de oitenta e duas peças
os recortes delicadamente
escolhidos nas madeiras de
tantas variedades e texturas

imaginava a construção
de trípticos definidos e
interligados tal como
a sua vida que sempre fora
construída em trilogias
de arte e sentimentos vários
sons mãos madeira
laços silenciosos família
o perto o aqui e o longe

e colecionava as linhas
e as notas nas partituras
subindo degraus ou
repicando os sinos
como só ele sabia
mesmo que a filarmónica
caminhasse pela rua
engalanada a rigor
em dia de alvorada

construira casas e móveis
desenhara presépios e calvários
santos e coros de janeiras
que ainda escutava na distância
sempre que as voltas da viagem
passavam mais perto
e as mãos enroladas ainda
apanhavam esses papeis com história
ao longo da longa espera

e de espera em espera
na idade da espera na sala
suspirava com algum desalento
como quando desenhava
os dias da idade e sentado
no canto da cozinha pensava
dormitava e me ensinava
que a vida pode ser mais
que uma espera em vida

entre a desesperança e o futuro
escondido no silêncio
cedia-me a cadeira
as peças recortadas
do puzle e os ecos
de uma nova espera
reinventada e repetida.
e suspirava um desabafo
universal uma vez mais

dizendo: "é a vida"