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terça-feira, 30 de setembro de 2014

leitura


diz-me que sim que me lês
não importa o astro ou planeta
que nos ilumina ou se esconde
nas horas da penumbra interior 

não me digas que só lês as cartas
os búzios ou as palmas da mão
nas estrelas na ampulheta há mais palavras 
tempos extra dos verbos por conjugar

leias ou não os meus olhos
atenta no que não digo e nos retalhos
dispersos no chão na mesa na cama 
espalhadas mensagens do muito por dizer  

letras grandes ou pequenas
todas escrevem de mim todas me falam 
de ti que mais queres que eu te diga?
dirás que sim direi eu 

as únicas estrelas que se reflectem no rio
debruçadas luzes da cidade serão
os teus dedos ao lerem o meu corpo
perdido nos papéis

terça-feira, 9 de setembro de 2014

polifonia de sonhos intactos

     pode ser partida a minha fala
     mantenho os sonhos intactos.
     se bem que os sonhos podem ser
     sonhados em qualquer linguagem
     torna-se mais fácil sonhar
     nas palavras que aprendemos
     com o leite e com os sonhos maternos
     tão universais como o coração.

     em casa sonhávamos e falávamos em polifonia:
     na minha linguagem de berço ensinava os filhos
     (daí dependiam os laços com o longe e o tempo)
     e na linguagem deles eu aprendia
     as novas cores dos sonhos.
     e de palavra em palavra de sonho
     em sonho e nos verbos do coração
     em vez de laços quebrados
     temos braços ligados

     desde o tempo em que os sentimentos nos ficaram
     das raízes doutros tempos
     e os sonhos ligaram as raízes aos frutos e ao futuro.
     esse mesmo futuro como um livro
     agora com novas páginas novas palavras
     novos sonhos partilhados.
 
     continuaremos a usar as palavras
     e os sentimentos mais antigos
     para construir os sonhos do amanhã.
     como ontem qualquer que seja
     a língua e as palavras
     contam os corações. e agora somos mais!...

terça-feira, 12 de agosto de 2014

MOMENTOS


Na polifonia de sonhos, pode ser quebrada a minha fala, mas mantenho os sonhos intactos (exceptuando breves momentos de dúvida e dores). Se bem que podem ser sonhados em qualquer linguagem, torna-se mais fácil nas palavras que aprendi com o leite e sorriso maternos. Assim, na minha linguagem de berço ensinei os filhos (daí dependiam os laços com o longe e o tempo), enquanto, na linguagem deles, aprendia as novas cores dos sonhos.

Cada momento, uma esperança...

          do que vês, do que eu criei, escolhe... é teu!
que me desses a obra das tuas mãos, eu entendia, até o desejava... 

não sei que idade teria, dos sonhos longos não alcançava o fim, mas logo

              (chega o momento de uma alegria descrente...) 

se tivéssemos vivido mais tempo juntos, que belas coisas teríamos feito...   

não vivemos... e então?... acabou a poesia? morreu a arte? 

e acrescentavas: as ferramentas, essas não tas dou, ainda vou precisar delas 

mas que farei eu com elas?
que idade terias quando assim falaste? (e eu, que idade  teria?) e agora?...

 Cada momento, uma luz...

afinal, o que eu quero...  

são as mãos, as tuas mãos!...  

eu sei...  

Trazes poesia em cada aperto de mão, porque as tuas mãos são feitas de poemas, sílabas sinceras, versos de inocência, como só desenham as mãos verdadeiras. Poemas coloridos, mais que cinco as cores de um arco iluminado só completo a duas mãos.  

Quando as mãos se apartam, ficam salpicadas de gotas feitas de poemas, dedos, versos, laços que uniram as mãos vivas nas veias que trazes em cada sílaba e aperto de mão. Apertaste as minhas mãos como quem escreve um poema, a cada instante as tuas mãos depositam sementes e um poema verdadeiro em minhas mãos. 

também eu sei... 

Em cada momento, uma serena alegria expectante...

quinta-feira, 7 de agosto de 2014

a idade dos "moxos"



   bom dia!
   do "moxo velho" aos menos velhos
   artistas amigos e manos
   velho e novo meros nomes
   só por si não acrescentam
   sabedoria a quem identificam

   o autêntico moxo velho
   esse bateu asas
   entrou na noite
   deixando para trás
  as batalhas da história
  nela e nos corações
  ganhou lugar

 outros moxos
 outras visões
 nas noites de outros tempos
 outras idades distantes

 encontros valem
 pelo que nos dão
 nomes pelo que deixam
 às novas gerações
 de pequenas aves

 para que possam ver
 na noite e
 no tempo


(fotografias de autor desconhecido)

quarta-feira, 6 de agosto de 2014

"quando menino eu lia..." - "I read as a boy..."

 

      Brevemente... edição bilingue.

quinta-feira, 19 de junho de 2014

os silêncios do silêncio

por onde ele anda o silêncio
não adivinhamos não sabemos
ao certo qual o melhor caminho
das gerações uma após outra e outra

fala do saber tão ignorado
da arte das mãos e dos silêncios
pois o carinho sei onde ele se aninha
nem que se esconda no longe mais longe

calemos os silêncios do silêncio
ouçamos as palavras da palavra
sentida no coração que bate bate
e doi também nessa batida ausente

ontem nos rimos e agora tentamos
a rima que nem sempre bate certo
usamos o metro nos versos na madeira
com que construímos a mesa que nos fala

e é poema continuado a fazer a roda...

domingo, 15 de junho de 2014

pianíssimo

a misteriosa invisibilidade do vento
é como um prelúdio de debussy
corre o piano entre os dedos
e nele os olhos divisam um véu ténue
afago em delicados gestos únicos
frases soam translúcidas suspensas
na adivinhada voluptuosidade das cortinas
sopradas nesta brisa interior invisível
pensamento decantado subtil
jogo de encantamento “da capo”
há cascatas condensadas
na pele a água corre em sintonia
deixando vogar um tilintar em crescendo
múltiplo compasso binário prolongado
nos gestos saídos das linhas paralelas
da sinfonia viva que acontece
no despertar de uma nota só

terça-feira, 10 de junho de 2014

da liberdade o poema...


tragam as letras palavras
os versos que ninguém tema
livros livres e as canções
da liberdade o poema ...

sexta-feira, 25 de abril de 2014

todas as letras são iguais


escrevia menino com vírgulas e pontos
assim me ensinou a velha mestra
com letras bordadas umas bem maiores
que outras. só mais tarde aprendi
que todas as letras são irmãs iguais
(...)
não havia sombras nem fantasmas nas folhas
dos livros nos rios da minha infância
repletos de alegrias que as fantasias dos livros
prolongavam os dias e as noites fora
na infância da minha aldeia

In: “quando menino eu lia...”, Inédito

Pintura de Fernando Silva

terça-feira, 15 de abril de 2014

reflexos




pensei comer morangos
sem delito. resolvi

usar uma toalha de linho
a mais bordada e prendada

na mesa com desenhos 
um tronco com a idade

das flores jovens junto aos pés
às pernas a caminho da fonte

não adormeci enquanto cantavas
no meu encantamento. sou

antes do sol nas areias
mais dos lados das montanhas

sexta-feira, 4 de abril de 2014

um, dez, mil


um ou dois ou cem
os passos com nomes
sapatos com marcas
deixadas na lama
dez vinte ou mil
bilhetes comprados
na esquina da sorte
de um barco no porto
as cartas contam
aos centos os selos
os voos das aves
de ninho para ninho
transportam desejos
promessas e sonhos
que os beijos deixaram
perdidos na noite

terça-feira, 1 de abril de 2014

sabor do silêncio


                                                                         O silêncio desenha o eco que me empurra.
                                                                                                                   Rui Goulart
de tempo em tempo
de tempo em vento
de vento em vento
viajam novas
palavras aladas

de vila em vila
da ilha a vila
de ilha em ilha
rebenta a espuma
palavras de renda

de silêncio em silêncio
de boca em boca
no silêncio da boca
e na voz da voz
crê nas palavras

depois chega o vento
nas ondas da voz
e na vila da ilha
chove na alma
um doce sabor

a silêncio