terça-feira, 22 de março de 2011

OS SONS DA ARTE E DO SILÊNCIO 10


OS SONS
DA ARTE
E DO
SILÊNCIO
  
Sons Arte Silêncio Mãos Madeira Carinho Raízes  

Muito dirão tais palavras de alguém que sempre amou a família, a escultura ('os bichos'), a música; que sempre acariciou os filhos, um instrumento musical, o trabalho e os seus trabalhos, as madeiras das suas esculturas, como se de “filhos” se tratasse.

Mais me transmitirão tais palavras sobre o meu Pai, Eduardo Martins, por tudo quanto nelas e com elas a mim e a todos ensinou.

Com as mesmas palavras pretendo, neste “livro aberto”, homenagear o Pai, o Homem e o Artista, o “Senhor dos sons, da arte e do silêncio”, o "Artesão das Mãos Verdadeiras", juntando-lhe outras artes de amigos e familiares.  Daí esta séria de imagens de esculturas que ele foi criando e acarinhando ao longo dos anos, das muitas que se encontram espalhadas pelos sete cantos do mundo... Este blogue foi criado a pensar nele, na sua arte, nas artes, nos amantes das artes.

A quantos possuem e admiram as peças de arte do “Senhor Eduardo” , que as queiram partilhar nesta página electrónica, peço que por e-mail me enviem fotografias das mesmas (joaomartins54@aol.com), que com alegria as divulgarei. Antecipadamente agradeço a cortesia, a divulgação, os comentários e visitas a estas páginas! 

OBRIGADO!

segunda-feira, 21 de março de 2011

OS SONS DA ARTE E DO SILÊNCIO 9


OS SONS
DA ARTE
E DO
SILÊNCIO




Profissões -Esculturas de Eduardo Martins

domingo, 20 de março de 2011

Troncos das nossas raízes

OS SONS DA ARTE E DO SILÊNCIO 8

OS SONS
DA ARTE
E DO
SILÊNCIO


 
Profissões - Esculturas de Eduardo Martins

sexta-feira, 18 de março de 2011

cantos das estações e da viagem



   
  no meu (re)canto eu vos canto
     no vosso canto me encanto
     e vos escuto em meu canto





"... era um outono-inverno sem data nem guarida
nas noites longas, serões semi-eternos
escrevemos diários de viagens
em silêncio, telegramas de invenção;
havia também um bilhete de ida e um selo, 
um envelope mistério sem carimbo ..."


   

Ao Pai e Mestre d' OS SONS DA ARTE E DO SILÊNCIO

quinta-feira, 17 de março de 2011

SALA DE VISITAS 5 - As ondas do fado



há um fado em cada esquina
em cada esquina da alma
há uma esquina em cada alma
que canta um fado...

há uma esquina em cada verso
na voz redonda de um fado
cantado de porta em porta
que se abre à alma

há um fado entre alma e alma
um gesto da alma à janela
escuto a voz da saudade
alma do fado


 Guitarra portuguesa - Alberto Resende                                                                  

terça-feira, 15 de março de 2011

OS SONS DA ARTE E DO SILÊNCIO 7

Escultor Eduardo Martins
OS SONS
DA ARTE
E DO
SILÊNCIO
      
   e disse:

quero escrever um texto livre        
em que ele próprio livremente
diga o que ele sente e eu sinto
sem me prender inutilmente
ou eu nele me sentir preso
ou dependente
que me respeite e que parta
novamente para ser lido …

fez-se silêncio. agora. livre. 

e sorriu !...
  

SALA DE VISITAS 4

ferry street ferry street ferry
os meus filhos nasceram aqui. eu nasci aqui

porque eu nasci muitas vezes.

atravesso a ferry street. comigo, a minha memória
atravessa a ferry street.

sou feito de sangue e de memória. as palavras
pararam dentro de mim. as palavras misturaram-se
comigo.

portugal dito em inglês. a estrada que chega e
que parte da minha terra, dita em inglês.
memória: my mother, her fingers touching my
face, her lips saying words: filho

atravesso a ferry street. comigo, a minha memória
atravessa a ferry street.

portugal. sou feito do teu rosto. nascemos juntos.

memória: my country, my trees and my eyes.
my blood.

atravesso a ferry street. comigo, portugal                                                                   Poema de José Luis Peixoto
atravessa a ferry street.                                                                                       Pintura a óleo de Fernando Silva

os meus filhos nasceram aqui.
eu nasci aqui.
eu nasci muitas vezes.
street ferry street  ferry street ferry streetferry street ferry street       

domingo, 13 de março de 2011

poema marinheiro



o ler me embala e quase adormeço
na corrente do poema feito barca
baloiço caravela ou moliceiro
que isto dos barcos tem seu nome próprio
capitão de fragata emoldurada
mais logo remador de bergantim
arrais ao leme contra-mestre sargaceiro
recolhendo as algas de adubar o verso
rima ruma rema sopra os panos
onde escreve com espuma e maresia
poemas de amor por navegar
nas linhas sonhadas uma a uma
luz e sombra recortados no poema
poente lua cheia madrugada
neblina da manhã da criação
um quase deus em gesto de barqueiro


sábado, 12 de março de 2011

SALA DE VISITAS 3



groselha e outras palavras


numa folha branca podemos
Groselha de Tifany Hufford
escrever quase tudo... a luz e
o coração e a groselha

esse fruto vermelho de sabores
antigos que ferve e semeia viagens
de pombas em revoada

podemos escrever as mãos e
a esperança tanta quanta
a tinta que a caneta verte

na memória do meu corpo
minha palavra desejo
saudades de percorrer

os mapas desenhados
sulcos regados a sal e sol
vales onde corre leite e mel

numa folha em branco podemos
escrever quase tudo... tudo
por inteiro


sexta-feira, 11 de março de 2011

OS SONS DA ARTE E DO SILÊNCIO 6

Dos ecos das flautas dos pastores terá herdado o prazer dos sons. Só as fotografias religiosamente guardadas tornam presente essa primeira fase da grande paixão pela música. De aprendiz  de solfejo, primeiro clarinete, até ‘mestre da música nova’ foi um salto quase meteórico. Era realmente a paixão… Balanço difícil quando confrontado com outras paixões? Quem sabe!… Já se vai distanciando essa época por entre as histórias contadas das festas da Santa Cruz ou de outras vizinhanças, o apreço e o respeito de quantos se lhe seguiram nas mesmas andanças (...)
Instrumento musical construído por Eduardo Martins  

quarta-feira, 9 de março de 2011

A plataforma - um poema, um conto


        
        Olho à minha volta na plataforma cinzenta, longa e insensível como as horas, as madrugadas e os dias, e há vultos que não distingo; é a neblina arreliadora de mais uma manhã fria que não deixa alcançar mais longe e definir as figuras; não passam de sombras inconclusivas, que não sei a quem atribuir, se à difusão das imagens, se à minha vista já gasta de tanto procurar por entre a luz. 
Sinto-os deslizar e sofro-lhes os efeitos dos ventos que provocam e, ainda que se tenham feito anunciar à distância, mais do que vê-los, pressinto-os passar, longos, a correr, até pararem gemendo de cansaço, choros de premonição de um destino ignorado. De imediato o burburinho que se instala é cortado pelos barulhos de portas automáticas que se abrem e fecham. Muitos dos que esperavam acabariam por entrar, também eles autómatos. Movimentação unilateral, já que não se dá pela saída de quem quer que seja. São os comboios da viagem… na estação, nesse engolir constante de passageiros e destinos, preparados para outras paragens, mais adiante…
(...) 
Esta procura dos poetas em todos os lados  fora substituída pela busca dos homens, por aqui e por aí, também em todos os lados, quem sabe se os mesmos…
A viagem nesse comboio vivo adquirira sentido novo nas horas do silêncio numa carruagem comum, entrecortado aqui e além pelos encontros com muitas outras carruagens de outros tantos comboios que, em linhas paralelas... ... ...

          E se eu amanhã viajar, talvez então tu me encontres!


In “A plataforma – um poema, um conto” - 2005