sábado, 30 de junho de 2012

fado na noite do fado - o video

triste a noite triste vem
nos fados que a noite abraçam
na rua que tanto tem
tristezas que por lá passam

nas vozes que a noite esconde.
por muito escuro que faça
uma luzinha presença
brilha por trás da vidraça

vendem-se imagens e luzes
nas janelas da ilusão
capa que encobre a tristeza
das noites de solidão

nas estrelas que viajam
há uma esperança e uma prece
sonhos das horas que passam 
enquanto a noite adormece
http://youtu.be/xP5ewfsNQTA 
 "fado da noite do fado"
 A gravação do primeiro tema do projecto no "youtube"
"FERRY STREET - RUA DA PALAVRA" 
(vídeo de João Pedro Martins)

sábado, 23 de junho de 2012

mãe - "o último leito"



num pedaço de madeira, quaisquer que sejam as medidas, nascem imagens e sentimentos, como num coração, qualquer que seja o seu tamanho. 

enorme é o amor, qualquer que seja a idade de um filho, e há sempre um colo a embalar, um berço, um leito, quantas vezes o último, porque o primeiro em calor, mesmo na despedida.

"la pieta" não tem que ser apenas um momento solene, mas um abraço apertado e sentido, porque humano. há um corpo que repousa na dignidade da entrega.


terça-feira, 19 de junho de 2012

o inefável dia de um gesto


levanta-se
como qualquer mortal sentimento
e estica-se em frente
alonga-se e prolonga-se
no subtil movimento
de quem pretende acordar

muito ou pouco trabalhado?
horas a fio centradas
em instantes diáfanos.
os dedos tentativamente
se desenham em incríveis
piruetas de um bailado melífluo
circundando partículas de ar
que se sentem acariciadas

um gesto alimenta-se de pouco
ou do muito que o corpo
ou o sentido lhe transmitem

se é um gesto de pé ou de perna
sorrateiramente se insinua
e se cruz e descruza
entrelinhas, entre
as linhas
com que as sombras se cozem
com a parede ou com os cubos
da calçada

gesto de corpo
poema da alma em tarde lânguida
entre penumbras e
laranjas acetinados do sol
que sorrateiramente mergulha
enquanto o gesto subtil
se adentra na noite
que se adensa

à noite, o gesto vem só por si, com luz
ou sem ela, com lua
ou sem as estrelas do firmamento
que delicadamente colhera
para fazer um ramalhete
(daí um nobre gesto)
insinua-se pelas dobras
camaleão do escuro

só por si, só
por si se esvai e se evola...
fazendo juz ao seu nome,
num gesto de despedida
simplesmente... gesto

quinta-feira, 14 de junho de 2012

mãe

 








as mães não se medem em centímetros ou em polegadas, mas pelo calor que emanam ... mais sentido fará serem medidas com um termómetro, caso exista um termómetro para o amor, quando olham para um filho...
e como a madeira é quente e aquece

Depois de uma série de trabalhos sobre mãos, nas quais continuo a acreditar, uma nova experiência: criar na madeira a imagem da mãe que tem no seu colo o seu filho, o carinho das mãos espalhado pelos braços que seguram, que apertam e unem, carinho de corpo inteiro. Estas são imagens do trabalho em progresso.


segunda-feira, 11 de junho de 2012

identidade


a pele é um mapa ao sol
directo em agosto de face lavada
a primavera veste um rosto vertical
recantos da boca acentuados

o outono procura nitidez
por entre as sombras indefinidas
na vegetação persistente
do inverno anunciado.

a visão no espelho ou no olhar
divide-se entre o rosto e o resto
algumas cicatrizes invisíveis ou
olhares de ocasional espanto.

assim se apresentam e distribuem
os espaços e as formas da barba
o desenho oval dos óculos
reforça as curvas dos sonhos.

quando falamos em identidade
fidelidade coerência e idade
mudarão talvez os traços jovens
as palavras e o rosto são os mesmos.


sexta-feira, 8 de junho de 2012

10 de junho - dia de comunidades


É O Dia!  dia de país, comunidade e povo, dia nosso, com direito a notícias e televião da rua mais portuguesa, de tão universal no encontro das culturas. E são tantas, e tanto o linguarejar que, de diferente, a todos une.

Chegámos num dia de comunidade, de comunidades, em junho ou noutro mês qualquer, pouco importa, era dia de escutar cantar a voz mátria, de bandeira na janela, de ler em português os anúncios de bacalhau e do pão, de continuar a sorrir ao bom dia! ao obrigado!
E de qualquer rua Portugal, fazer porto de partida para mais voltas ao mundo, cantando o fado antigo sempre novo, cruzar terras, mar e nuvens, até onde se estende a alma de povo.


Arte - Fernando Silva

sexta-feira, 1 de junho de 2012

o fado não é só meu

não há poema
ou fado que não reconte
as vidas que os atravessam
e sigam o seu próprio passo

e o fado não é só meu

não sou fadista
nem dono da verdade
mesmo cantada solto
versos e paixões

mas o fado não é só teu

vive de quantos lá estão
tem tantas casas e ruas
é de ninguém e de todos
os que o habitam

.. assim é a ferry street
                                                                                               O Fado - Arte de António Rendeiro