terça-feira, 15 de abril de 2014

reflexos




pensei comer morangos
sem delito. resolvi

usar uma toalha de linho
a mais bordada e prendada

na mesa com desenhos 
um tronco com a idade

das flores jovens junto aos pés
às pernas a caminho da fonte

não adormeci enquanto cantavas
no meu encantamento. sou

antes do sol nas areias
mais dos lados das montanhas

domingo, 13 de abril de 2014

sexta-feira, 4 de abril de 2014

um, dez, mil


um ou dois ou cem
os passos com nomes
sapatos com marcas
deixadas na lama
dez vinte ou mil
bilhetes comprados
na esquina da sorte
de um barco no porto
as cartas contam
aos centos os selos
os voos das aves
de ninho para ninho
transportam desejos
promessas e sonhos
que os beijos deixaram
perdidos na noite

terça-feira, 1 de abril de 2014

sabor do silêncio


                                                                         O silêncio desenha o eco que me empurra.
                                                                                                                   Rui Goulart
de tempo em tempo
de tempo em vento
de vento em vento
viajam novas
palavras aladas

de vila em vila
da ilha a vila
de ilha em ilha
rebenta a espuma
palavras de renda

de silêncio em silêncio
de boca em boca
no silêncio da boca
e na voz da voz
crê nas palavras

depois chega o vento
nas ondas da voz
e na vila da ilha
chove na alma
um doce sabor

a silêncio

domingo, 30 de março de 2014

fado? porquê?



porque gosto que me cantes
o teu fado
e toques em cordas
invisíveis
a guitarra marca o passo
das palavras
não se esgota num só grito
a voz do povo
nas tabernas entre copos
crescem versos
noite fora nas janelas
nascem luzes
e eu recolho a casa só
(sem enfado)
continuo a gostar de  ti
         ... é o meu fado!

quarta-feira, 26 de março de 2014

Mão


Desenho a carvão de Mateus Costa

segunda-feira, 24 de março de 2014

IPMA 2014 - "Enquanto as pedras me falam"

 
"Enquanto as pedras me falam"

Vencedora na categoria 
"World Music/Fado"
Fátima Santos, voz

Vencedora na categoria 
"SONG OF THE YEAR"
Autores: João S Martins (poema) 
José Luis Iglésias (música)

terça-feira, 18 de março de 2014

livros de amor e de perdição


                livros de perdição livros dispersos
           mapas de regresso ao alcance da mão

segunda-feira, 17 de março de 2014

do tempo do sol e o tempo



Há sempre tempo para o tempo
de te escutar, meu amigo.
Conto os instantes, e agora
sinto saudade, hora a hora,
do tempo de estar contigo.

 tempo me dá razão,
faz justiça a horas próprias,
repara feridas, dá a mão,
repõe verdade, sem histórias,
com o tempo, tempos vão…

Conta-me histórias sem tempo,
dá-me sons, versos em linhas,
notas de tempos perdidos,
chaves, espaços de um sol
que me inebrie os sentidos.

Tu vens, ficas… partes, voltas…
está sempre a porta aberta.
Deixa passar os minutos,
não marques tempo, que importa,
nunca serão horas mortas.

sexta-feira, 14 de março de 2014

da outra memória

quero lembrar e guardar
as viagens que não fiz
ou que nunca farei
antes que aconteçam
antes que me esqueça
dos mapas do teu rosto
antes que esqueça antes
que a tarde seja tarde
e quero que recordes muitos
outros poemas e sonhos idos
e os outros que perderei
antes de ter esquecimento
esta palavra da moda
do risco ténue e frágil linha
entre vida e desmemória sorrateira
confundo os nomes que esqueci
os teus olhos que me olham
e o sabor dos beijos e rostos
que não beijo nem vejo
ou o livro que leio se o leio
e viro a página única
como os títulos os aniversários
aos quais não saberei mais
virar os dias ou  as páginas

nota:
como escrevi num livro antigo
(quando o tempo se dilui
ficam as palavras)
“se um dia não puder ver mais
tu serás a menina dos meus olhos”

olhar? distante? de que falávamos?
onde íamos nós? talvez...
ao teu lado...