sábado, 8 de junho de 2013

o outro puzle

do outro lado da água
ou seria da mesa
noutra cadeira ou num barco
se misturvam tintas cores e tons
numa caixa reduzida
para um coração grande
de outras viagens
de tantas esperas
por cumprir. as mesmas
que as mãos uniram
sem se conhecerem
com destino diferente
como diferente e desconhecido
era também o novo puzle
de incertezas e perguntas
e sem nunca se encontrarem
um partiu enquanto o outro
lentamente retomou caminho
vencendo agora a espera...
"é a vida"

quarta-feira, 5 de junho de 2013

anjos

por caminhos impensáveis
anjos e anjos e anjos

eram pegadas legiões bandos
autómatos caminheiros peregrinos
sem bordão que as promessas
vivas navegavam entre os corpos
e as incertezas pisavam a lama
tijolos de adobe inconsistente
desespero do sangue dos braços
caídos sem forças para erguer
clamores lamentos inaudítos
inaudíveis fronteiras de aço
gritos de nevoeiro rasgado
urgência de um clarão
para lá do abandono. porquê

… as eternas diferenças
intemporais?! anjos

                  Arte de Fernando Silva

segunda-feira, 3 de junho de 2013

puzle da espera

o meu pai no caminho
da idade sentado ao canto
da cozinha esperava
dormitava e pensava
juntando num puzle
de oitenta e duas peças
os recortes delicadamente
escolhidos nas madeiras de
tantas variedades e texturas

imaginava a construção
de trípticos definidos e
interligados tal como
a sua vida que sempre fora
construída em trilogias
de arte e sentimentos vários
sons mãos madeira
laços silenciosos família
o perto o aqui e o longe

e colecionava as linhas
e as notas nas partituras
subindo degraus ou
repicando os sinos
como só ele sabia
mesmo que a filarmónica
caminhasse pela rua
engalanada a rigor
em dia de alvorada

construira casas e móveis
desenhara presépios e calvários
santos e coros de janeiras
que ainda escutava na distância
sempre que as voltas da viagem
passavam mais perto
e as mãos enroladas ainda
apanhavam esses papeis com história
ao longo da longa espera

e de espera em espera
na idade da espera na sala
suspirava com algum desalento
como quando desenhava
os dias da idade e sentado
no canto da cozinha pensava
dormitava e me ensinava
que a vida pode ser mais
que uma espera em vida

entre a desesperança e o futuro
escondido no silêncio
cedia-me a cadeira
as peças recortadas
do puzle e os ecos
de uma nova espera
reinventada e repetida.
e suspirava um desabafo
universal uma vez mais

dizendo: "é a vida"

terça-feira, 21 de maio de 2013

PAZ

Pai
A Paz encheu a NOSSA CASA! Ao colo trazia a Saudade, as Memórias, o Carinho e a Vida! Brincou connosco, saltou de mão em mão, e subiu ao Coração do “Senhor das Mãos Verdadeiras”. No seu rasto deixou estrelas e beijos para todos os amigos e homens bons!
João
Maio 19, 2013

sábado, 18 de maio de 2013

Eduardo Martins - o PAI




O olhar, a madeira, o som, as mãos, o carinho, o silêncio !
13 de Novembro de 1930 - 18 de Maio de 2013

quinta-feira, 16 de maio de 2013

Julho 1994


 Artesão Eduardo Martins
Espaço de Artesanato em Manteigas

terça-feira, 14 de maio de 2013

O banco das três faces do poder...



Arte em madeira do Artesão Eduardo Martins

domingo, 12 de maio de 2013

dois anjos


eram dois anjos e alguém
asas brancas lhes roubara
alvos anjos branco branco
luz branca que iluminava
quem asas tinha e as usava
para saber voar na luz

uma luz iluminava
um rosto branco sorria
um outro rosto chorava
alvas lágrimas caíam
no branco que lhes cobria
os corpos plenos de alvura

deixando soltos os passos
que a branca neve envolvia
palavras brancas dizia
alvas marcas caminhava
veredas de sonhos brancos
neve? luz? distante olhar

alvo  branco branco                                                                        
                 Arte de Fernando Silva

quarta-feira, 8 de maio de 2013

O Senhor das "mãos verdadeiras"


                Eduardo Martins
     Senhor das "mãos verdadeiras" 


segunda-feira, 6 de maio de 2013

azul


arco, ponte, túnel,
rosa navegada
barco vivo

à contraluz do gesto
de raios, sombras,
branco buraco

abóbada suspensa
auto de transcendência
que os dedos não apagam

traço gesto

lado a lado

as mãos

          Arte de Fernando Silva

sábado, 4 de maio de 2013

Março de 1984


Em Março de 1984, Amélia Leitão entrevista o artesão Eduardo Martins, junta-lhe algumas imagens e publica uma pequena brochura, de que aqui se reproduzem algumas páginas (imagens salvas da voragem do tempo). Assim, também de forma artesanal, com o apoio da Câmara Municipal de Manteigas, dá a conhecer o artista que recentemente se iniciara na arte de criar figuras das raizes da urze.


quarta-feira, 1 de maio de 2013

onda da criação





nunca o gesto foi tão prenhe
de dor e alegria da criação

rebentam         elementos
                 os

gesto verbo artista Deus

vórtice ou espiral

do fogo à água
mão invisível
se evapora
nuvem
           tinta
                    espuma
  
 
  Arte de Fernando SIlva