quem me espreita na distância?
quem me lê entrecortado?
quem na terra da abundância
rouba a luz?
quem por dentro me resguarda?
quem serás tu que eu não vejo?
entre a sombra desenhado
que dirás?quem me olha do outro lado?quem me projecta na sombra?que pretendes esconderna escuridão?há palavras protegidashá segredos estreabertosnos espaços inquietosdas persianas
terça-feira, 7 de agosto de 2012
a persiana 2
sexta-feira, 3 de agosto de 2012
a persiana
as janelas da poesiaora abertas ou semiluzes e sombrasparalelas como as lâminasque cortam as palavrasem fatias horizontaismais fácil é comertorradas cúbicasque ajustar as alturasdos sentimentosque transportame quando as persianassão feitas de pestanaspalpebras e olharesquem controla a abertura?quem apaga o sol?quem puxa o cordão?
terça-feira, 31 de julho de 2012
histórias...
domingo, 29 de julho de 2012
quando menino eu lia e ...
talvez gostasse de ter sido carpinteirode outros artefactos mesas cadeirasarcas de guardar outros valores.sonhei esse gosto antigo de recortare desenhar figuras e mãos... (elas outra vez)que me acariciassem que eu fariapolidas e coloridas tal como as palavrasque recortava cortava em duase colava juntava e davasentidos novos sentidos possíveiscom a mesma destrezacom que meu pai usava a plainaou a lixa para as tornar mais belastábuas mesas mãos palavrasgostaria de ter o dom dos artesõescarpinteiro costureiro pintorde madeira panos papéisque por enquanto são feitosquase somente de palavrasas que tu me dásas que eu embalo acaricio costuro euma vez mais lisas e brilhantesverto e devolvo.quisera ser madeiratinta risco pano e somIn: "quando menino eu lia...", João S Martins, inédito
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quando menino eu lia
quinta-feira, 26 de julho de 2012
quando menino eu lia... lia e escrevia
agora escrevo e leio escrevo escrevoe se antes lia para devorar as ideiasou escrevia para matar as saudades oumais tarde publicar se alguém lessehoje é o prazer de brincar com as palavrasesses brinquedos tão sérios dos temposem que eu menino lia tais palavrase tal como outrora quisera ser pintor maioragora fazia desenhava palavras e imagensou músicas de sabor e forma diferentea coleccionar o mais o muito o antigo.regresso à escola da criaçãoa esculpir formas e figuras e mãose nelas ver a alma de quem as informa.corto colecciono e afago ferramentasletras madeira parágrafos e sonhoscomo filhos que também o são.e há escritas e leituras noite fora oua meio de um sono que desperta incomodae agita as perguntas na caixaonde o pensamento as guarda e fazcolheita das promessas uma a uma:regressarei em círculos de palavrapoesia música pintura fotografiaque não desdenho nem deserdo
antes anseio e sonho.
In: "quando menino eu lia...", João S Martins, inédito
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segunda-feira, 23 de julho de 2012
Ferry Street RUA DA PALAVRA
Arte de Fernando Silva
"Ferry é nome de rua, minha e nossa,
é nome da casa das palavras que invadem a avenida em tons de festa"
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domingo, 22 de julho de 2012
quarta-feira, 18 de julho de 2012
NOITE DE MUSICA PORTUGUESA E POESIA
Noite de Música Portuguesa e Poesia e apresentação do projecto
FERRY STREET RUA DA PALAVRA -Sábado – 28 de Julho, 8.00 PM
FÁTIMA SANTOS . PEDRO BOTAS . DAVID COUTO . DIANA MENDES
JOSÉ LUIS IGLÉSIAS . CESAR GARABINI
FÁTIMA SANTOS . PEDRO BOTAS . DAVID COUTO . DIANA MENDES
JOSÉ LUIS IGLÉSIAS . CESAR GARABINI
Vinhus Restaurant and Lounge - 157 Westfield Avenue, Roselle Park, NJ 07204
segunda-feira, 16 de julho de 2012
"o almanaque dos escritores"
na rádio um poema lido
com voz intimista de circunstância:
dois colegas de escola
este bom em matemática literatura
filosofia poesia e outras artes
dois colegas de escola
este bom em matemática literatura
filosofia poesia e outras artes
visuais e auditivas
terra a terra sensíveis.
aquele dedicado à ciência física
e química com apetência para outros voos
menos íntimos pouco lúdicos
e química com apetência para outros voos
menos íntimos pouco lúdicos
nada estéticos. aquele publicou textos
e cartas de amor com o mesmo intervalo
com que o segundo oferecia
bombas de misericórdia
assim ele dizia os útimos desejos
vistos lá do alto aos que num ápice
iriam ser sacrificados em nome
de uma ideia uma cultura um deus.
e cartas de amor com o mesmo intervalo
com que o segundo oferecia
bombas de misericórdia
assim ele dizia os útimos desejos
vistos lá do alto aos que num ápice
iriam ser sacrificados em nome
de uma ideia uma cultura um deus.
o dele
nunca o deles.
alucinação contagiante fantasia
egocêntrica
nadava o primeiro entre livros
nadava o primeiro entre livros
e folhas de água calma no lago
repousado de orlas claras
em balanceadas linhas sensíveis
cores de repouso e criação
repousado de orlas claras
em balanceadas linhas sensíveis
cores de repouso e criação
alheadas das outras cores
de fogo sons relâmpagos
explosões de terror insensível
às erupções interiores
de fogo sons relâmpagos
explosões de terror insensível
às erupções interiores
das consciências
parei o carro à beira da estrada
desliguei o motor e entrei
neste pequeno oásis de tempo
sem muros. só os desenhos
no jardim canteiros e arbustos
continuei a escutar ...
entre dois lados contrários
há sempre um terceiro ponto de vista:
chamar-lhe-ão alguns verdade
direi talvez: caminho. o meu.
parei o carro à beira da estrada
desliguei o motor e entrei
neste pequeno oásis de tempo
sem muros. só os desenhos
no jardim canteiros e arbustos
continuei a escutar ...
entre dois lados contrários
há sempre um terceiro ponto de vista:
chamar-lhe-ão alguns verdade
direi talvez: caminho. o meu.
e todos os dias às sete horas
e trinta minutos de cada tarde
a mesma voz circunstancial
alinha datas recorda efemérides
e lê um poema do almanaque
que eu gostava
ter escrito
In: "quando menino eu lia...", João S Martins, inédito
In: "quando menino eu lia...", João S Martins, inédito
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sexta-feira, 13 de julho de 2012
quando menino eu lia... 2
quando menino falava e eram jáalgumas as palavras as falas que sabiaainda antes de saber falar antes ainda
das sílabas usava palavras de andar
palavras agarradas às saias da mãe
às cadeiras às pernas das mesasao colo dos tios palavras que dizia
mesmo sem falar. davam-me palavras
que guardava nos bolsos de falar
davam-me doces que eu comiapalavras rebuçados que saboreava
ou guardava e poupava
para saborear e usar mais tarde.
se tinha demais também oferecia
e trocava para aumentar o meu tesouro
de chocolates palavras doces.e a minha colecção de iguariascresceu e fui juntando e juntando
muitas palavras guardadas
saíam dos bolsos como brinquedos
para os meus jogos de menino
com os amigos e vizinhos da minha rua
onde havia muitas palavras soltas
que eram de todos. e como os cromos
dos jogadores de futebol e dos ciclistas
trocávamos para aumentar a nossa
caderneta colecção de cromos e palavras
e havia palavras para todos
palavras de todos para todos
palavras com um amanhã
In: "quando menino eu lia...", João S Martins, inédito
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quando menino eu lia
terça-feira, 10 de julho de 2012
quando menino eu lia ...
menino menino lia...
e visitava o coração esse enorme
vão de escada biblioteca onde
cabiam todos os livros sem idade
ou com idade de meninos ou graúdos
todos os livros de amor
e outras escritas da alma
espalhando folhas soltas
pagelas de olhares de menino
o mesmo que em menino liapalavras. palavra de menino
In: "quando menino eu lia..." - João S Martins, inédito Arte de Fernando Silva
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terça-feira, 3 de julho de 2012
vice-versa
chegará sem dúvida o momentoinevitável, em que eu ou tu estaremosna sala, sós, olhando literalmentepara a janela uma das muitas janelasde ontem, ou do amanhã entreaberto.e eu lerei para ti, ou alguém virá lerpara mim, a tua carta ou um qualquer jornal.a voz será mais importante e suaveque as notícias ou os resultadosdos políticos ou dos concursos desportivos.se for dia dos teus anos cantarei,ou se for o meu aniversário dirão:parabéns (pela longa vida?) por tudoquanto a idade permitiu fazerao longo dos dias de inverno mais curtos.(...) depois…vamos cortar só para nós dois o bolo esaborear. tu lês e eu escuto e, num sorriso,dirás para mim: parabéns e eu direimuitos anos de vida. adormeceremos entãoou vice-versa…
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