no canto da insatisfaçãohá uma desistência progressivauma reforçada ausênciaque empurra e invoca.
pouca poesia há em empurrarnão é a mais fina das palavraspara espelhar uma fuga ondenão há rimas nem métricas
possíveis para a palavra viagem
quinta-feira, 5 de abril de 2012
a palavra viagem
segunda-feira, 2 de abril de 2012
rua do tempo
do barco do ferrodas línguas de fogodas águas das terras
distantes. do tempoesgotado de tempoem aberto aos ventosdos tempos. com econo eco dos tempos
quinta-feira, 29 de março de 2012
pontos de criação
o maior escritor de sempre
ele sabia que não era.
não porque lhe faltassem
palavras. as palavras...
da vinci tinha pedras
e ferramentas miguel
ângelo as cores e o traço
pelas tintas seguiria picasso
não era deus. nem christian barnard. curto na criação
não era deus. nem christian barnard. curto na criação
uma coisa em seus sonhos
ele garantia: tinha mãos.
e tinha coração.
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quarta-feira, 28 de março de 2012
poema - a noite
o pôr do sol era mais que o céua linha do horizonte
começava nas pálpebras no ocasode uns olhos pequeninos
e assim a noite chegava mais cedopor detrás do olhar e
havia uma chama acesana sala escura dos globos
e recriava duas velas duassombras duas meninas na valsa
secreta das doze horas. rezavama silenciosa oração da madrugada
sábado, 24 de março de 2012
o outro dia da criação
nunca o gesto esteve tão pertoda magma e do nada
nunca o gesto foi tão prenheda criaçãorebentam elementososgesto verbo artista deuses
vórtice ou espiralmão invisívelse evaporanuvemtintaespuma
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quinta-feira, 22 de março de 2012
terça-feira, 20 de março de 2012
Dia Mundial da Poesia - na minha mesa há sempre um poema
na minha mesa há sempre um poema.
à minha mesa sentam-se palavras
mastiga-se um pão silabado lento
há convivas novos que se anunciam.
todos os dias gosto de receber
a companhia dos meus comensais
celebra-se com um copo reservado
aromas concentrados que adornam
por sobre a toalha bordada as letras
os lábios tocam os copos e as mãos
dedilham as melodias das palavras
em abluções de cor e claridade
de menu em menu de folha em folha
a minha mesa é flor de novidade
diferente e rica em cada livro.
hoje provei sílabas doces
domingo, 18 de março de 2012
o décimo dia da criação
nem descansouluznão viuque já haviatrevas do outro ladodo mundo é noiteuma sequênciade sete porquê
descansarna imagem(nossa)incompletaobrade homem
esse mitoeterno
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sexta-feira, 16 de março de 2012
"caminhar como quem se afasta de si mesmo"
cortinas invisíveis nos
dividem o teu lado do meu
bloqueiam ruas que não dão
passos aos pés que as pisam
espelhos de um poliedro incolor
atravessados pelo próprio reflexo
recusa autómata das dores
interiores e queixas profundas
o risco maior de partir e voltar
e chegar com os bolsos vazios
e as mãos sombreadas
“caminhar como quem se afasta de si mesmo”
(António Lobo Antunes – in "Sôbolos rios...")
terça-feira, 13 de março de 2012
poema - esta casa dava um conto
sentados no chão do silêncio
meninos e meninas vigiam
fantasias personagens
que vagueiam pela casa
tinham fugido dos livros
aos olhos do seu leitor
as páginas estavam vazias
nos livros sós as palavras
para trás roupagens
sapatos diálogos neutros.
há que reconstruir caminhos
da porta às janelas ao lume
ao pão da mesa ao leito
acender a lareira dar luz
dar voz e nomes
aos corpos das palavras
iluminar os rostos
dos meninos e meninas
no silêncio dos livros
nas lages do chão
um conto. conta. eu conto
domingo, 4 de março de 2012
poema - conversa com meu primo óscar
falavas das histórias da vida e
eu sentia as histórias de dentro.
e todos os demais eram actores
eu sentia as histórias de dentro.
e todos os demais eram actores
a começar por nós nas histórias
nas fitas da nossa história
depois de tantas imagens
e tantos enredos e filmes
depois de tantas vidas e filmagens
perdidas entre palavras e memórias.
cenas aparentemente mudas
nas fitas da nossa história
depois de tantas imagens
e tantos enredos e filmes
depois de tantas vidas e filmagens
perdidas entre palavras e memórias.
cenas aparentemente mudas
aparentemente a preto e branco
isto se acreditarmos que os filmes são
aparências mais ou menos (des)coloridas.
como a vida. ora acabam em bem
ora têm sequências impensáveis.
para os arquivos de que tanto gostas
e a duplicação da arte da vida
da imitação à qual pomposamente
(como a dos gatos) chamam sétima
e nós apenas vamos na primeira
a única que nos resta. sobre a vida
voltaremos a falar meu caro óscar
nem que seja num encontro anual ou
nas conversas comuns de todos os dias
sexta-feira, 2 de março de 2012
a construção das mãos - as ondas do fado
Terminou a magnífica aventura da construção da escultura "as ondas do fado". Vários meses, mais de 100 horas. E finalmente a alegria de uma peça que aí está: na sua realidade, na sua beleza, fala por si.
Agradecimentos muito especiais: ao "modelo" cuja imagem foi o princípio "destas mãos", o guitarrista e construtor de guitarras Alberto Resende; e a Jerry Cetrulo, dono da American Woodcarving School, Wayne, NJ, laboratório da madeira, onde as mãos criam arte!
E aos muitos amigos que acompanharam a construção destas mãos, aos que me incentivaram e ajudaram a acreditar que tal escultura era possível, mesmo quando era difícil explicar cabalmente o embrionário projecto.
Fizeram-me acreditar que com tempo, olhar e mãos todas as obras são possíveis. Perfeição? Onde tu estás? Lá na frente do caminho que é preciso percorrer... provavelmente na próxima escultura... ou na próxima... ou ... E se nós não gostarmos de nós e dos nossos sonhos, quem mais irá gostar? Obrigado!
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